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MEMÓRIAS : EU JÁ FUI UMA DIVA DO AXÉ

Quando gravava o Casseta & Planeta Urgente, ficar duas horas sentado numa cadeira de maquiagem era algo normal. E quando a personagem era feminina, as horas se multiplicavam. Imagina o trabalho que dá para transformar um cara peludo como eu em algo que se pareça minimamente a uma fêmea? E a personagem feminina que mais fiz no programa e que, portanto, me deixou mais horas sentado numa cadeira de maquiagem foi a Acarajette Lovve, com dois tê e dois vê, a maior cantora de axé do mundo. Do mundo só não. Da Bahia!
Acarajette Lovve foi uma personagem que fez sucesso assim que foi ao ar pela primeira vez. Como a resposta do público era muito boa, achamos que dava para convidar as cantoras baianas para gravar com Acarajette, e, incrível, todas elas toparam. Acarajette gravou com Claudia Leitte, Ivete Sangalo e Daniela Mercury, além de outras cantoras não baianas como Joelma ou roqueiras como Pitty. Acarajette ficava lá xingando as cantoras, dizendo que era mais bonita, mais gostosa e que cantava melhor e elas entravam na brincadeira e respondiam na mesma moeda. Era divertido. Eu curtia bastante.
Quando chamamos Ivete Sangalo para gravar com Acarajette, ela disse que topava, que queria muito gravar com Acarajette, mas a sua agenda estava complicada. Como ficou difícil conciliar uma data para a gravação no Projac, a produtora de Ivete nos fez uma proposta:
– Acarajette topa participar do show da Ivete no Rio de Janeiro?
– No Rio? Claro! – a produção do programa respondeu sem pestanejar. – E em que teatro vai ser o show?
– Não vai ser em teatro não. Vai ser em cima de um trio elétrico.
– Como assim num trio elétrico? Nós não estamos no carnaval.
– A Ivete vai dar um show num trio elétrico no estacionamento do Riocentro. Acarajette topa subir no trio elétrico com ela?
Eu sou um cara tímido, nunca toparia subir num trio elétrico diante milhares de pessoas, mas Acarajette não era tímida e topou na hora.
O dia da gravação chegou. Como não dava para maquiar no Riocentro, a produção marcou comigo no Projac. Fiquei pronto, travestido de Acarajette com umas quatro horas de antecedência. Então, um carro da produção me levou ao Riocentro, e lá no estacionamento encontramos o trio elétrico da Ivete, parado diante de uma multidão.
O palco do trio elétrico normalmente fica em cima da caçamba do caminhão. Chegamos por trás e entramos dentro da caçamba, onde existia um camarim. Ivete já estava lá, preparando-se para o show. Ela me recebeu super bem, muito simpática, senti uma solidariedade de cantoras baianas. Ivete explicou como seria a minha entrada, que horas eu entraria no palco, ou melhor, quando eu subiria no trio. Passei o texto com Ivete.
O show começou e eu fiquei esperando ali embaixo escutando Ivete cantar os seus hits. Até que, com uns quarenta minutos de show, ela me chamou ao palco:
– E agora com vocês, uma convidada muito especial: Acarajette Lovve!
Subi as escadas que davam acesso ao palco na parte de cima do caminhão. Quando cheguei lá e vi a plateia, gelei. Eram mais de vinte mil pessoas. Gente a perder de vista, uma multidão sem fim. Respirei fundo e mandei:
– Boa noite. É uma honra para mim, Acarajette Lovve, estar aqui para ajudar essa cantora iniciante, Claudia leite…
Ivete se fingiu de irritada e me corrigiu:
– Não, Cacarajette! Eu sou Ivete , minha linda.
– Ah, é Ivete seu nome? Desculpa, não conhecia…
Ficamos assim nos provocando por uns cinco minutos, o povo delirando. Até que Ivete resolveu incitar as 20 mil pessoas a gritar o meu nome:
– Acarajette! Acarajette! Acarajette!
E foi aí que aconteceu. Vinte mil pessoas gritando o meu nome. Naquele momento, depois de mais de quatro horas vestido daquele jeito, eu nem me lembrava mais que era o Beto Silva, eu era Acarajette. E estava fazendo o maior sucesso! E sucesso, como todos sabem, sobe à cabeça. Eu sou um cara tranquilo, que sabe onde tem a cabeça, mas Acarajette não. Ela estava completamente deslumbrada, por sua cabeça mil pensamentos rolavam: Será que aquele era o momento de largar o Casseta & Planeta e virar uma cantora baiana de vez? Que tal realizar o sonho do trio elétrico próprio e desfilar pelas ruas de Salvador no carnaval? Já pensou gravar um CD e viajar pelo Brasil fazendo shows em cima do meu personal trio elétrico? Tudo isso passou pela cabeça de Acarajette Lovve em milésimos de segundos. Mas então aconteceu outra coisa: Eu esqueci o texto. Viajando na carreira-solo de cantora de axé, eu não lembrava mais as minhas falas. Fiquei calado, deu uma bobeira geral. Ivete já havia falado à beça, agora cabia a mim responder e nada! O sonho de seguir na carreira de cantora baiana se esvaneceu na velocidade da luz e agora eu só tentava encontrar um texto perdido em algum lugar de meu cérebro. Precisava falar alguma coisa, mas nada vinha! Fiquei nervoso. Comecei a suar frio. Achei até que desmaiaria ali em cima do trio elétrico diante de vinte mil pessoas. Mas Graças a Deus não cheguei a pagar mico naquela noite. Depois de alguns poucos segundo, que para mim pareceram uma eternidade, finalmente achei a fala num neurônio perdido qualquer e gritei:
– Eu sou Acarajette Lovve! A melhor cantora do mundo! Do mundo só não! Da Bahia! Uma cantora que além de cantar muito melhor, tem as pernas mais grossas do que Ivete, que tem só esses cambitinhos ridículos!
Ivete respondeu a altura. Sacaneou Acarajette e dessa vez, pediu uma vaia à plateia, que a atendeu. Sob uma vaia de vinte mil pessoas, eu me despedi do público. A multidão voltou a aplaudir Acarajette e eu sai de cena. Desci as escadas rapidinho e voltei para o camarim na parte de baixo do caminhão. Chegando lá, a primeira coisa que fiz foi arrancar a peruca que já estava apertando a minha cabeça há mais de quatro horas. Peguei um lenço umedecido e tirei a maquiagem. Tirei a roupa da Acarajette, deixei de ser a musa de pernas grossas da Bahia, a sensação loura do carnaval baiano e voltei a ser só aquele cara do Casseta & Planeta. Mas posso dizer que, pelo menos por alguns minutos, em cima de um trio elétrico, ao lado de Ivete Sangalo, eu me senti uma verdadeira diva da axé music!

GRANDES CACIQUES DO BRASIL

Alguns até acham que nosso país não é mais uma aldeia indígena, mas como ainda temos caciques! Eu estou falando dos caciques políticos, que mandam no país.
Hoje em dia esses caciques são menos conhecidos, só os comentaristas políticos da Globonews, CNN e tais sabem o nome dos donos dos partidos do Centrão. Mas nós, que não temos saco para acompanhar o dia-a-dia da política, não conseguimos decorar o nome desses caras.
Mas, num passado nem tão distante, todo mundo sabia direitinho quem eram os caras que mandavam na política brasileira.
Uma vez, há bastante tempo, fui apresentado a um dos mais poderosos caciques da país: o poderoso Antônio Carlos Magalhães, o ACM, que foi “dono” da Bahia.
Meu encontro com ACM aconteceu em um hotel na Praia do Forte, na Bahia, onde estava hospedado com a minha família. ACM também estava hospedado nesse resort. Eu estava tomando um banho de mar com a minha filha. Quando saímos do mar, fomos nos lavar num chuveirinho que havia na beira da praia. Foi dali que eu avistei o homem, a uns dez metros. ACM estava ao lado de um assessor que já havia conversado comigo, e que me chamou. Mandei a minha filha para a barraca onde estavam meus pais e, meio sem jeito, me aproximei. O assessor me apresentou ao homem:
 – Esse é o Beto Silva do Casseta & Planeta.
ACM não falou nada, só ficou olhando para a minha cara. Sem saber o que fazer ou dizer, desandei a falar um monte de bobagens, falei do tempo, falei do hotel, disse que o meu pai era baiano, que o meu avô também… O homem só olhava para a minha cara e respondia com monossílabos. Ao final me despedi e fui  para a barraca onde estava com a minha família.
 – Você viu? – perguntei para a minha mãe.
 – Vi. Você falou com o ACM.
 Então minha mãe apontou para o meu nariz.
 – Que foi? – perguntei sem entender.
 – O nariz – minha mãe falou.
 – O que que tem o nariz? – perguntei.
 – Tem uma meleca descendo. – minha mãe explicou.
 Sabe aquelas cobrinhas de catarro que descem do nariz quando a gente entra na água? Pois é, uma dessas melecas estava lá descendo desde a minha narina esquerda até quase a boca. Eu só consegui olhar em direção a barraca do ACM e pensar: Será que foi por conta do meu catarrão que o homem me olhava tanto?
Pois é, foi assim o meu encontro com o poderoso ACM.
Algumas pessoas acharam essa história nojenta, mas outras consideraram um ato político!

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COISAS QUE NÃO QUERO FALAR

É tão natural escutar ou mesmo falar certas coisas que nem nos damos conta do que representam. Elas já são parte do nosso dia-a-dia. Coisas como “nos tempos da ditadura…” ou “tem que esperar o VAR”, por exemplo.
Então fiquei pensando outro dia em expressões que não gostaria de falar no futuro, que torço para que nunca se tornem corriqueiras em nossas vidas. Espero que nunca tenhamos que falar expressões como:

“Na pandemia passada…”

“No primeiro governo Bolsonaro…”

“A seleção brasileira é apenas uma das pentacampeãs que…”

“No último Petrolão…”

“O Real Novo está valendo…”

“Ontem a temperatura foi só de 50 graus…”

e

“O VAR errou…” .

Não, essa a gente já fala direto!

O 5G ESTÁ CHEGANDO!

Se você escreveu um bilhete num guardanapo com uma esferográfica vagabunda no ano 2000 e guardou, pode pegar e ler o que escreveu sem problemas. Se você digitou a mesma coisa no editor de textos mais foda que havia na época, e arquivou, provavelmente num disquete, quero ver conseguir ler. Se o disquete ainda funcionar, você vai precisar se equipar de um nerd fuçador de bits pra conseguir ler o tal arquivo. Pois é, eu tenho uma cacetada de fotos minhas até o advento da máquina digital. A partir daí eu sei que estão todas no computador, mas onde? Em que computador? Cada vez que uma nova revolução acontece na informática, lá se vão embora os arquivos antigos, e o pior é que as revoluções acontecem a cada três meses.
A nova revolução que está chegando é a do 5G. Mais uma vez ouvimos milhões de promessas de melhoria de vida. Tudo vai ser foda, tudo vai ser mais rápido, incrivelmente acelerado. Assim que o 5G começar a funcionar vamos ter que trocar de celular rapidinho, contratar em alta velocidade um novo serviço de wifi de alta velocidade. Tudo muito rápido.
Além da possibilidade de postar dancinhas no TikTok , piratear séries e divulgar fake-news em tempo recorde, o 5G também vai propiciar a chegada da internet das coisas. Carros autônomos, ônibus sem motoristas, aviões sem pilotos, geladeiras e torradeiras inteligentes, a gente nem mais vai lembrar de como eram as coisas sem internet. Mas apesar da velocidade do 5G, a revolução ainda vai demorar um pouco para acontecer. E pela nossa experiência brasileira, até que o 5G funcione mesmo de verdade, a internet das coisas será apenas a internet nas coxas.

O BRASIL E O PRÊMIO NOBEL

Estão sendo divulgados os prêmios Nobel de 2021. Já teve prêmio para americano, japonês, italiano, alemão, até libanês, mas nada de brasileiro ganhar. Assim como no Oscar, nenhum brasileiro jamais ganhou um Nobel. E sempre, quando saem os prêmios Nobel, a gente fica aqui debatendo e conclui que nunca fomos contemplados porque pouco se investe em educação e ciência por aqui. Tudo bem, é verdade, mas pelo andar da carruagem política isso não vai acontecer tão cedo. Então se a ideia é ganhar um Nobel, é preciso mudar de tática. Em vez de investir em educação e ciência, já existe uma ideia rolando de se lançar uma campanha para que mudem as categorias que são premiadas pela Fundação Sueca. Os prêmios atuais são muito injustos com o Brasil, é preciso criar outras categorias, para que o nosso país tenha alguma chance de finalmente levar um Nobel. Vão aí algumas sugestões:
Em vez de um Nobel de Economia, que tal um Nobel da Gastança?
Em vez de Nobel de Física, Nobel de Preparação Física.
Em vez de Nobel de Química, Nobel de Substâncias Químicas.
Em vez de Nobel de Medicina, Nobel de Tratamento Precoce.
Em vez de Nobel de Literatura, Nobel de Sofrência.
Quem sabe com essas novas categorias, o Brasil não leva finalmente um Nobel para casa?

MEMÓRIAS – AS MELHORES PIADAS DO PLANETA… E DA CASSETA TAMBÉM

O nosso primeiro livro na Objetiva, nossa nova editora, foi a Volta ao mundo de Casseta & Planeta, onde falávamos de países, dicas de viagens, outros povos, por aí. O livro foi muito bem produzido, com várias ilustrações, uma foto de capa muito maneira, mas não vendeu muito bem. Ou pelos menos não vendeu o que se esperava que vendesse. Então um editor da Objetiva chegou para a gente e perguntou: “Por que vocês não fazem um livro de piadas?”
Livro de piadas não era nenhuma novidade, até O Pasquim já havia feito uma antologia de anedotas que fez muito sucesso nos anos 80, mas resolvemos topar o desafio. Saímos recolhendo as piadas que gostávamos. Eu, como editor dos livros do grupo, fui o caçador de piadas mais ferrenho. Comprei até livros americanos de anedotas para garimpar piadas desconhecidas por aqui. Todo dia a galera aparecia com um monte de piadas e contava antes das nossas reuniões de redação. Eu era o principal contador de piadas, já que estava ligado na edição do livro. Só não era chamado de Tiozão da piada, porque acho que a expressão ainda não existia. Mas era uma tarefa profissional, afinal estávamos editando um livro de piadas, era preciso contá-las para poder selecionar as melhores.
As melhores Piadas do planeta… e da casseta também saiu em 1997 e foi um estouro. Rapidamente virou best-seller, ficou em primeiro na lista dos mais vendidos por um ano. Foi de longe o nosso livro que mais vendeu, não sei exatamente qual o número, mas com certeza foram mais de 100 mil exemplares. Em 1998 lançamos o As melhores Piadas do planeta… e da casseta também 2, e nos anos seguintes o 3, o 4 e o 5. Todos venderam bem. O primeiro, supercampeão de vendas, foi relançado em vários formatos: com outra capa, livro de bolso, e-book, áudio-livro, sempre um sucesso.
É claro que muitas piadas que foram publicadas nesses livros lançados no final do século XX, não poderiam ser publicadas no século XXI. Muita coisa mudou, algumas piadas não podem e não devem mais ser contadas. O tempo passa, as coisas avançam, os conceitos mudam, os contextos são outros. Em 2019 , fomos convidados pela UBOOK para relançar o livro em áudio-book, um formato que cresce bastante hoje em dia. Nessa ocasião eu reli os dois primeiros livros de piadas e várias piadas me incomodaram. Não só os tempos mudaram, eu mudei também. Então eu chamei o Helio para me ajudar a editar esse áudio-book. Pegamos o texto original e tiramos todas as piadas que consideramos de mau gosto, anedotas que, para falar a verdade, nem achávamos mais engraçadas. Pois o livro resistiu a essa “limpeza” e continuou muito divertido, fazendo bastante sucesso nessa plataforma de áudio-livros.

Ainda na onda de livros de piadas, em 2002, lançamos As piadinhas do cassetinha, livro de piadas para crianças, que é um dos nossos livros que mais gosto.
E além dos livros de piadas, continuei no meu trabalho de Ministro dos Livros e capitaneei mais algumas obras da literatura “cassetiana e planetiana”, que lançamos também pela Editora Objetiva:
– O avantajado livro dos pensamentos de Casseta & Planeta, que juntava os dois livros de frases num só.
– Relançamos o Manual do sexo manual.
– Seu Creysson, vidia e óbria.
– Seus problemas acabaram – Os melhores produtos das Organizações Tabajara.
– O livro de auto-ajuda Como se dar bem na vida, mesmo sendo um bosta.
– O legítimo livro pirata de Casseta & Planeta. Esse o último que lançamos, em 2007.
Muitos anos depois, em 2018 fomos convidados pelo Eduardo Bueno, o Peninha, para escrevermos um livro de humor que falasse da História do Brasil. Escrevemos o Brasil do Casseta – Nossa História como você nunca riu, lançado pelo selo Estação Brasil da Editora Sextante. Sorteamos os 30 capítulos da História do Brasil e dividimos entre nós para cada um escrever a sua parte. Quer dizer, menos o Reinaldo, que ilustrou o livro com um de seus geniais desenhos para cada capítulo. O livro ficou bem engraçado. Não dá para aprender História do Brasil com ele, mas acho que ele serve para dar vontade de estudar um pouco mais da nossa História e tentar entender como conseguimos chegar até aqui.

A DELEGACIA DOS CRIMES DE HUMOR

UMA AVENTURA DO DELEGADO SOARES, TITULAR DA DELEGACIA ESPECIAL DOS CRIMES DE HUMOR

Vi o cara enchendo a cara num boteco. Parecia estressado. Não resisti, fui falar com ele.
– Você é aquele policial da Delegacia de Crimes do Humor não é? Aquele que investiga os roubos de piadas? – Perguntei.
– Sou eu mesmo. Delegado Soares.
– Está tudo bem? – Perguntei , mas pelo seu aspecto cansado eu já sabia que a resposta era não.
– A vida era mais fácil quando eu tratava com crimes comuns… assassinatos, sequestros… o mundo do humor é muito difícil!
– Nossa! Os roubos de piadas estão aumentando?
– Fala sério! Isso se alastrou como praga! A polícia de humor nem está mais investigando roubos de piadas no Twitter, isso disseminou mais que o crack! É uma epidemia. O Twitter é a cracolândia das piadas roubadas.
– Por isso você está com essa cara de estressado?
– Não, o que me estressou foram os stand-ups. Trabalhei um tempo no setor de stand-ups… barra pesada!
– Barra pesada por quê? Trabalhar  assistindo a shows de humor, rindo pra caramba!
– Rindo nada! Eu sou um policial do humor! O meu trabalho exige que eu assista aos piores stand-ups , casos de humoristas falsificados… Meu amigo, hoje em dia qualquer um acha que pode fazer stand-up!
– É, tem muito show por aí…
– Muito? – O cara estava mesmo nervoso, me agarrou pelo colarinho e vociferou: O sujeito participa de um reality show e acha que pode fazer stand-up e  no dia seguinte já está num teatro contando piada!
– Calma! –  Tirei suas mãos do meu cangote. O cara se acalmou um pouco.
– Nossa, você tá mesmo muito nervoso – falei – são tantos problemas assim?
– Demais! Demais! Problemas de todo tipo.  Artigo quinto parágrafo 1, Piadas sem final! Artigo quarto, parágrafo 12, excesso de piadas sobre chupar buceta. Artigo quinto, parágrafo 3, textos que começam com “tem uma coisa que eu não entendo” ou “tem uma coisa que me deixa puto”. Artigo décimo, parágrafo dois, formação de quadrilha, junção de quatro ou mais falsos humoristas para fazer shows ! Tá bom pra você?
– Caramba ! Tudo isso? Difícil , hein!
– Pois é … mas hoje a coisa piorou. Recebi uma notícia terrível! Fui transferido, passei para o pior setor da delegacia dos crimes de humor! O pior!
– Qual é esse setor?
– Vlogs! Uma viagem sem volta! O cara pega uma câmera e sai falando, gritando, xingando e acha isso engraçado ! É o fundo do poço para um policial do humor como eu! O fundo do poço! Acho que vou me aposentar!

MEMÓRIAS – CASSETA & PLANETA TAMBÉM É LITERATURA

Em um determinado momento, lá no início de nossa carreira de grupo de humor, nós resolvemos dar uma organizada interna para conseguir produzir tudo que queríamos. Criamos o que denominados de ministérios. Cada um de nós era responsável por um “ministério”, ou seja, por uma área, DVDS, músicas, livros, etc… O Claudio e o Reinaldo, não entraram nessa divisão, pois já integravam um ministério importante: a redação final do programa, que exigia muito tempo de trabalho. Não me recordo exatamente quais eram os ministérios de cada um, só lembro que o Bussunda fez questão de assumir o Ministério do Ócio e Lazer, cargo que exerceu com muita responsabilidade e competência.
Eu fiquei responsável pelo Ministério dos Livros. Sempre gostei muito de ler e de livros e pulei em cima desse cargo com a fome que um deputado do Centrão tem por um cargo no governo hoje em dia. Nem preciso dizer que não queria o Ministério dos Livros para roubar ou distribuir rachadinhas para a minha família.
Não era eu o responsável por escrever os livros do grupo, mas por produzi-los, ou seja, reunir os textos já escritos, juntar a galera para ter ideias para os livros ou para convencê-los a escrever textos para os livros. Acho que fiz direitinho o meu trabalho porque nós acabamos lançando mais de 20 livros.
Em 1994, já com o Casseta & Planeta Urgente no ar, a editora Record nos procurou. Perguntou se nunca havíamos pensado em lançar um livro. Conversamos sobre que livro poderíamos fazer e veio a ideia de um livro de frases. Como ministro da pasta, assumi o trabalho de organizar o trabalho, saí a caça de frases do grupo em todos os lugares, compilei frases da revista Casseta Popular e do Planeta Diário, nos quadros do programa. Era só algum de nós dizer algo engraçado que eu anotava. Juntei um montão de frases e pensamentos e as dividi em capítulos por assunto. Juntamos o grupo e fomos passando as frases uma a uma, melhorando algumas e descartando outras. Bolamos títulos engraçados para os capítulos e acabamos lançando o Grande livro dos pensamentos de Casseta e Planeta.
O livro foi um sucesso! Vendeu muito bem. Ficamos empolgados e eu, como editor do livro, ainda mais animado que a galera, parti de novo na pescaria por frases que escrevemos, pensamentos que esboçamos, falas de quadros de programa, tudo que pudesse ser transformado numa frase engraçada. Mais uma vez puxei a galera para bolar novas frases e, ainda em 1994, conseguimos lançar mais um livro de frases: O enorme livro dos pensamentos de Casseta e Planeta. Sucesso também.
Em 1994 ainda veio o Manual do Sexo Manual, com textos sobre sexo publicados nas revistas e alguns textos inéditos.
No ano seguinte, seguimos em nossa carreira “literária” e lançamos o Livro místico, esotérico e sobrenatural de Casseta e Planeta, com a ideia de brincar com esse tipo de assunto que andava bombando no mercado editorial na época (na verdade, até hoje esse assunto rende).
Ainda em 1995 juntamos as melhores entrevistas publicadas nas revistas Casseta Popular e Casseta & Planeta e produzimos o livro Casseta & Planeta – Entrevistas, com entrevistas com Caetano Veloso, Jaguar, Gabeira, Paralamas, entre outras.
Por conta principalmente dos livros de frases, que haviam virado best-sellers e que tiveram várias edições, a nossa carreira literária estava de vento em popa. Então, o nosso passe foi negociado com outra editora, a editora Objetiva. Nos sentimos como craques de futebol, só faltou o cachê milionário e as luvas.
(continua no próximo post)

BOZONARO NA ONU

Uma das expressões que eu mais escutava quando era jovem dizia que um adulto podia fazer o que quisesse, afinal era “maior e vacinado”.
O presidente do Brasil é maior, mas se recusa a vacinar. No entanto continua fazendo o que quer, mesmo que seja contra a lei do país que ele governa.
Essa semana mesmo, foi para Nova Iorque e não pôde entrar em restaurante para jantar porque não tem certificado de vacinação. Comeu pizza na rua.
Eu fico pensando nos membros da comitiva do presidente (ou seria comipizza?) devem ter esboçado colocar ketchup e mostarda na pizza. Mas não se atreveram, afinal, ketchup é vermelho, comunista! E mostarda é amarelo, coisa de chinês!

A foto do Bozonaro comendo pizza na rua em Nova Iorque é um retrato de um Brasil dividido:
A maioria dos brasileiros queria mesmo que Bozonaro fosse pra rua!
Mas uma minoria barulhenta quer mais é que isso acabe em pizza.

No mesmo dia que o Bozonaro disse que ia falar umas verdades em seu discurso na ONU, lançou um projeto de lei para liberar as Fake News nas redes sociais. Ou seja, é grande a probabilidade das “verdades” do Bozonaro, assim como o seu jantar, acabarem em pizza.